Papa Francisco (2013–2025): Um Pontificado de Misericórdia, Coragem e Proximidade


 última fotografia pública do Santo Papa Francisco - dia 20 de Abril de 2025 - Vaticano


Papa Francisco (2013–2025): Um Pontificado de Misericórdia, Coragem e Proximidade


No dia 21 de abril de 2025, o mundo despediu-se de Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, aos 88 anos. O primeiro papa latino-americano da história partiu na Casa Santa Marta, onde escolheu viver, longe dos luxos papais, mas perto do coração do povo. O seu legado é imenso — não apenas para a Igreja Católica, mas para a humanidade. Nesta resenha, recordo alguns dos momentos mais marcantes do seu pontificado, iniciado em 2013, com o simples e revolucionário “Buona sera”.



A eleição que mudou o rosto da Igreja (2013)


No dia 13 de março de 2013, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito como o 266.º Papa da Igreja Católica. Assumiu o nome de Francisco — uma escolha inédita — em homenagem a São Francisco de Assis, símbolo de humildade, paz e amor pelos pobres. Desde logo, marcou pela diferença: rejeitou o Palácio Apostólico como residência, dispensou vestes exuberantes e pediu ao povo que rezasse por ele antes de dar a bênção.



Um Papa próximo, humilde e reformador


O Papa Francisco procurou uma Igreja que “não seja uma alfândega, mas uma casa paterna”. A sua liderança foi pastoral, mais centrada nas pessoas do que na doutrina. Incentivou uma Igreja em “saída”, voltada para as periferias — geográficas, sociais e existenciais.


        Entre as principais reformas institucionais:

• Reorganizou a Cúria Romana, com maior transparência e abertura.

• Reforçou o combate aos abusos sexuais, apesar das resistências internas.

• Criou novos cardeais vindos de países pobres e distantes, descentralizando o poder.



A voz da justiça social e da ecologia integral


o Papa Francisco foi, talvez, o maior líder moral global do nosso tempo. Posicionou-se como defensor dos mais pobres, dos migrantes e da “casa comum” — o planeta Terra.


        Destacam-se:

• Encíclica “Laudato Si’” (2015): um marco na consciência ecológica global.

• Encíclica “Fratelli Tutti” (2020): apelo à fraternidade, à solidariedade e ao diálogo num mundo polarizado.

• Visitas a campos de refugiados, prisões, bairros pobres e zonas de guerra — uma presença que falava                           mais que mil discursos.



O diálogo com o mundo e as outras religiões


        Foi incansável na promoção do diálogo inter-religioso:

• Encontros históricos com líderes muçulmanos, judeus, budistas.

• Assinatura do Documento sobre a Fraternidade Humana com o imã de Al-Azhar (2019).

• Visita histórica ao Iraque (2021), promovendo reconciliação após décadas de conflito.



Coragem pastoral e abertura aos temas sensíveis


        O Papa Francisco abriu debates dentro da Igreja sobre temas delicados, como:

• Divorciados recasados.

• Pessoas LGBTQ+ (“Quem sou eu para julgar?” — uma das frases mais marcantes).

• Papel das mulheres na Igreja.

• Celibato sacerdotal (lançando o debate, especialmente no contexto da Amazónia).


Manteve-se fiel à doutrina, mas abriu portas para o discernimento, a escuta e a inclusão pastoral.




Um Papa do povo, mesmo na pandemia


        Durante a pandemia de COVID-19, o Papa Francisco foi uma presença silenciosa, mas poderosa:

• Celebrou, em 2020, uma oração solitária na Praça de São Pedro vazia, que emocionou o mundo.

• Incentivou a vacinação e a solidariedade global.

• Denunciou o “vírus do individualismo”.



Últimos anos e legado duradouro


Apesar da saúde frágil nos últimos anos, continuou ativo até 2024, participando em eventos, sínodos e encontros. A sua morte, aos 88 anos, deixa um vazio espiritual, mas também uma herança viva:

• Uma Igreja mais próxima e misericordiosa.

• Uma consciência social e ecológica reforçada.

• Uma mensagem de paz, fraternidade e diálogo universal.



Um Pastor que quis “cheirar a ovelhas”


Papa Francisco viveu o que pregou. Foi um homem de fé, de gestos simples e palavras profundas. Num mundo marcado por divisões e desigualdades, apontou o caminho da escuta, da compaixão e da dignidade humana. O seu pontificado foi, em muitos aspetos, revolucionário — não por mudar dogmas, mas por tocar corações.


Paz à sua Alma




O que se segue……


Após a morte do Papa Francisco, entra-se automaticamente no período chamado Sede Vacante (“sede vazia”), que é o tempo entre o falecimento (ou renúncia) de um papa e a eleição do novo. 

As várias fases: 


        Período de Luto

• Dura geralmente 9 dias (Novemdiales), com missas e orações em memória do Papa falecido.

• Durante este tempo, não se tomam decisões importantes na Igreja — tudo fica suspenso até à eleição do                     novo papa.


        Governo Provisório

• A Igreja é temporariamente governada pelo Colégio dos Cardeais, mas com poderes limitados.

• O Camerlengo (atualmente, o Cardeal Kevin Farrell) cuida dos assuntos administrativos do Vaticano.


        Preparação do Conclave

• Entre 15 a 20 dias após a morte do papa, os cardeais reúnem-se no Vaticano para iniciar o Conclave, no qual                será eleito o novo papa.

• Apenas os cardeais com menos de 80 anos podem votar (cerca de 120 cardeais eleitores).


        Conclave no Vaticano

• Realiza-se na Capela Sistina, em completo isolamento do mundo exterior.

• Os cardeais votam até quatro vezes por dia (duas de manhã e duas à tarde), até um candidato obter 2/3 dos                votos.


        Fumo Branca: Temos Papa!

• Quando um papa é eleito, os votos são queimados com substâncias que produzem fumo branco. Se ninguém            é eleito, sai fumo negro.

• O novo papa é questionado: “Aceitas a tua eleição?”. Se aceitar, escolhe o nome papal.


        Anúncio ao Mundo

• O novo pontífice aparece na varanda da Basílica de São Pedro.

• O cardeal protodiácono declara: “Habemus Papam!” (Temos Papa!)

• Segue-se a primeira bênção do novo líder da Igreja Católica.


Depois é aguardar que seja mais um Papa que consiga marcar a vida da humanidade.

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